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A letra I

O I é a nona letra do alfabeto português e a terceira das suas vogais. Chama-se i, representa o som /i/ e é a vogal mais fechada da língua. Nasaliza antes de m e n no fim da sílaba: fim, tinta.

Nome e pronúncia

O nome é i, plural is. O som /i/ é uma vogal fechada anterior: a língua sobe em direção ao palato e os lábios esticam-se. Ao lado de outra vogal e sem acento próprio, funciona como semivogal [j]: pai, coisa, história. Com acento, quebra o ditongo e forma hiato: sa-í-da, ru-í-na, pa-ís. No Brasil o i aparece também como realização do e átono final, o que faz leite soar «leitchi».

O pingo do i minúsculo não existia na escrita romana: foi acrescentado pelos copistas medievais por volta do século XI para distinguir o traço vertical do i dos da m, da n e do u na letra gótica, onde uma sequência de hastes se tornava ilegível.

Os sons do I em resumo

ValorQuandoExemplos
vogal oral /i/sílaba com i como núcleovida, livro, aqui
vogal nasal /ĩ/antes de m ou n no fim da sílabafim, tinta, limpo
semivogal [j]junto de outra vogal, sem acentopai, coisa, série
vogal de hiato, acentuadatônica depois de vogal, sozinha ou com ssaída, país, egoísta

O i nunca muda de som por causa da letra anterior, ao contrário do que acontece com o c e o g; mas ele muda o som delas: ci soa «si» e gi soa «ji». No Brasil, ainda palataliza o t e o d anteriores: tia soa «tchia», e dia, «djia».

De onde vem a letra I

Vem do sinal fenício 𐤉 yōd, «mão» ou «braço», que valia a semiconsoante /j/. Os gregos adotaram-no como iota Ι e usaram-no para a vogal /i/, simplificando-o até deixar um só traço vertical: daí a expressão «não mudar um iota», por ser a letra mais pequena do alfabeto grego. Os romanos tomaram-no com a mesma forma e com valor duplo, vogal e consoante, que só se separou no século XVI com a criação do J.

O I noutros alfabetos e códigos

SistemaEquivalente
GregoΙ ι (iota)
CirílicoИ и · Й й
Hebraicoי (yod)
Árabeي (ya)
Morse· ·
Braillepontos 2-4
Alfabeto OTANIndia
Librasmindinho esticado, restantes fechados

O I em outras línguas

O I como símbolo

Palavras que começam com I

Regras e confusões frequentes

O Acordo de 1990 mudou a acentuação de i e u tónicos depois de ditongo em paroxítonas: escreve-se feiura e baiuca sem acento, mas saída e faísca continuam acentuadas por não virem depois de ditongo. Ainda se acentua o i tónico que forma hiato quando está sozinho na sílaba ou seguido de s: país, egoísta, juízes. Já em rainha, moinho e campainha não se acentua, porque o nh seguinte impede. É a regra mais esquecida da ortografia portuguesa.

I ou Y?

Desde a reforma ortográfica de 1911 em Portugal e de 1943 no Brasil, o y deixou de ser usado nas palavras portuguesas e foi substituído pelo i: physica virou física, e lyrio, lírio. Com o Acordo de 1990, o Y voltou ao alfabeto, mas só para nomes próprios estrangeiros e seus derivados, símbolos e estrangeirismos (Byron, byroniano, yd). Em palavras portuguesas comuns, escreve-se sempre i. Veja a letra Y e as vogais do alfabeto.

Por que o i minúsculo tem pingo?
O pingo foi acrescentado pelos copistas medievais para distinguir o i dos traços verticais de m, n e u na escrita gótica. Na maiúscula não é necessário.
Quando o I leva acento?
Quando é tônico e forma hiato, sozinho na sílaba ou seguido de s: país, saída, juízes. Não leva antes de nh (rainha) nem depois de ditongo em paroxítonas (feiura).
Qual é o plural da letra I?
O nome da letra é i, e o plural é is: «pôr os pingos nos is».
O I é vogal ou semivogal?
Pode ser as duas coisas: é vogal quando forma o núcleo da sílaba (vi-da) e semivogal quando acompanha outra vogal num ditongo (pai).
Qual a posição do I no alfabeto?
O I é a nona letra do alfabeto português e a terceira das cinco vogais: a, e, i, o, u.

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