Alfabetos do mundo
Existem cerca de 150 sistemas de escrita em uso, mas apenas uma dezena atende à maior parte da humanidade. Esta seção reúne os alfabetos vivos, cada um com sua tabela completa, número de letras, direção da escrita e equivalência com o português.
Os grandes alfabetos e quem os usa
| Alfabeto | Letras | Direção | Línguas principais |
|---|---|---|---|
| Latino | 26 básicas | Esq. → dir. | Português, espanhol, inglês, italiano, francês, alemão… |
| Cirílico | 33 (russo) | Esq. → dir. | Russo, ucraniano, búlgaro, sérvio, cazaque |
| Árabe | 28 | Dir. → esq. | Árabe, persa, urdu, pachto |
| Devanágari | 47 sinais | Esq. → dir. | Hindi, marata, nepalês, sânscrito |
| Grego | 24 | Esq. → dir. | Grego; ciência e matemática |
| Hebraico | 22 | Dir. → esq. | Hebraico, iídiche |
| Hangul | 24 básicas | Esq. → dir. | Coreano |
| Kana + kanji | 46 + 46 + milhares | Ambas | Japonês |
| Caracteres chineses | Sem alfabeto | Ambas | Mandarim, cantonês |
Escritas do mundo por região
Além dos grandes sistemas, cada região tem escritas próprias, muitas delas com séculos de tradição literária. Estas são as que têm página nesta seção:
Europa e Cáucaso
- Latino, grego e cirílico: as três escritas oficiais da União Europeia.
- Armênio: 38 letras, criado por Mesrop Mashtots no início do século V.
- Georgiano: 33 letras, sem distinção entre maiúsculas e minúsculas.
Oriente Médio e Ásia Central
- Árabe e suas adaptações: persa (32 letras) e urdu.
- Hebraico e siríaco, ambos da direita para a esquerda.
- Mongol tradicional: escrito de cima para baixo, em colunas da esquerda para a direita.
Sul da Ásia
- Devanágari (hindi), bengali, tâmil, cingalês e tibetano: todas abugidas descendentes da antiga escrita brahmi.
Sudeste Asiático
- Tailandês (44 consoantes), khmer (o alfabeto mais longo, com 74 letras) e birmanês, com suas letras arredondadas.
- O vietnamita e o indonésio, ao contrário, usam o alfabeto latino.
Leste Asiático
- Chinês, hiragana e katakana (46 sinais básicos cada) e o hangul, um caso raro de escrita com data e autor conhecidos: o rei Sejong, em 1443.
África e Américas
- Etíope (ge'ez), usado para o amárico e o tigrínia; tifinagh, das línguas berberes.
- Cherokee: silabário criado por Sequoyah por volta de 1821, com 85 sinais.
Direção da escrita
A maioria das escritas vai da esquerda para a direita, mas há exceções importantes. O árabe, o hebraico, o persa, o urdu e o siríaco escrevem-se da direita para a esquerda, e os números árabes, curiosamente, continuam a ser lidos da esquerda para a direita dentro desses textos. O mongol tradicional é vertical, e o chinês e o japonês podem ser escritos tanto em linhas horizontais quanto em colunas verticais. Os detalhes estão em direção da escrita.
Nem todos são alfabetos no sentido estrito
Um alfabeto propriamente dito, como o latino ou o grego, tem um sinal para cada vogal e cada consoante. O hebraico e o árabe são abjads: escrevem sobretudo consoantes. O hindi, o tailandês ou o etíope são abugidas: cada consoante traz uma vogal implícita, modificada por marcas. Os kana japoneses são silabários e o chinês usa logogramas. Mesmo assim, no uso cotidiano todos recebem o nome de alfabeto, e é assim que você os encontrará aqui.
Como ler as tabelas desta seção
Cada página mostra a letra em maiúscula e minúscula (quando a escrita as distingue), seu nome na língua original, a transliteração usual para o português e a pronúncia aproximada. Quando existe uma norma oficial de romanização, como o pinyin para o chinês ou o sistema Hepburn para o japonês, indicamos qual está sendo usada, porque a mesma letra pode ser transcrita de maneiras diferentes em inglês e em português.
Recordes e curiosidades
- Mais letras: o khmer, com 74, segundo o Livro Guinness.
- Menos letras: o rotokas, língua de Papua-Nova Guiné, se escreve com apenas 12 letras latinas.
- Mais difundido: o latino, usado em todos os continentes e por centenas de línguas.
- Mais antigo: o primeiro alfabeto conhecido é o protossinaítico, do segundo milênio antes de Cristo, base do fenício.
- Sem maiúsculas: georgiano, árabe, hebraico, hangul e as abugidas da Índia não distinguem maiúsculas de minúsculas; essa distinção é típica do latino, do grego, do cirílico e do armênio.
Alfabetos que já não se usam
Muitas escritas sobrevivem apenas em inscrições e manuscritos, mas são essenciais para entender as atuais: o fenício, o etrusco, o grego antigo, o rúnico dos povos germânicos, o ogham irlandês e o glagolítico, primeira escrita dos eslavos. Antes de todos eles vieram sistemas não alfabéticos, como a escrita cuneiforme e os hieróglifos egípcios. E há ainda os alfabetos inventados, criados para a ficção ou como projetos pessoais.
Uma mesma família
O grego, o latino, o cirílico, o hebraico, o árabe, o armênio e o georgiano descendem, por caminhos diferentes, do alfabeto fenício. Por isso a ordem das letras é tão parecida: alfa, beta, gama, delta em grego e alef, bet, guimel, dalet em hebraico são as mesmas letras herdadas. Só o hangul coreano, inventado em 1443, e alguns alfabetos modernos como o cherokee nasceram de forma independente.
- Quantos alfabetos existem no mundo?
- Há cerca de 150 sistemas de escrita em uso, entre alfabetos, abjads, abugidas, silabários e logografias. Só uma dezena deles atende à maior parte da população mundial.
- Qual é o alfabeto mais usado do mundo?
- O alfabeto latino, usado pelo português, pelo inglês, pelo espanhol e por centenas de outras línguas em todos os continentes.
- Qual é o alfabeto com mais letras?
- O khmer, do Camboja, com 74 letras segundo o Livro Guinness. Entre os alfabetos mais curtos está o do rotokas, com 12.
- Qual é o alfabeto mais antigo do mundo?
- O protossinaítico, do segundo milênio antes de Cristo, é o primeiro alfabeto conhecido. Dele derivou o fenício, ancestral do grego, do latino, do hebraico e do árabe.
- O chinês tem alfabeto?
- Não. O chinês usa caracteres logográficos, em que cada sinal representa uma palavra ou parte dela. Para transcrevê-lo em letras latinas usa-se o pinyin.