alfabeto.net
  1. Início
  2. História do alfabeto
  3. Alfabeto ogham

Alfabeto ogham

O ogham é o alfabeto do irlandês antigo, usado entre os séculos IV e VII na Irlanda e no oeste da Grã-Bretanha. Suas letras são grupos de um a cinco entalhes traçados sobre uma linha, normalmente a aresta de uma pedra vertical, e se leem de baixo para cima.

Os 20 sinais originais

GrupoSinalNomeSomÁrvore associada
I (direita)beithbbétula
luislsorveira
fearnfamieiro
sailssalgueiro
nionnfreixo
II (esquerda)uathhespinheiro
dairdcarvalho
tinnetazevinho
collcaveleira
ceirtqmacieira
III (diagonal)muinmvideira
gortghera
gétalngjunco
straifzabrunheiro
ruisrsabugueiro
IV (cruzando)ailmapinheiro
onnotojo
úruurze
eadhadheálamo
iodhadhiteixo

Os quatro grupos de cinco chamam-se aicmí. Cada um se distingue pela posição em relação à linha central: entalhes de um lado, do outro, cruzando-a em diagonal ou perpendicularmente. Mais tarde acrescentou-se um quinto grupo de cinco sinais, os forfeda, para ditongos e sons gregos.

Como se lê

A linha de referência costuma ser a aresta de uma pedra em pé. O texto começa embaixo à esquerda, sobe pela aresta e, se for longo, desce pelo outro lado. É a única escrita europeia que se lê verticalmente de baixo para cima. Veja direção da escrita.

Quase todas as inscrições dizem a mesma coisa: um nome no genitivo, muitas vezes com a fórmula X maqqi Y, «de X, filho de Y». Eram marcos que assinalavam uma propriedade ou um túmulo.

Conservam-se cerca de 400 inscrições ogham: umas 330 na Irlanda, sobretudo em Kerry, Cork e Waterford, e o resto no País de Gales, na Cornualha e na ilha de Man. Várias são bilíngues, com o mesmo texto em ogham e em latim, e essas foram a chave da decifração.

De onde saiu

O ogham não deriva por evolução de nenhuma escrita: é um alfabeto inventado. Quem o projetou conhecia a gramática latina — a ordem dos sinais e sua classificação em grupos revela uma análise fonética deliberada — mas quis um sistema próprio e distinto. Já se propuseram vários motivos: escrever em segredo diante da administração romana, marcar identidade frente ao latim ou simplesmente dispor de um método cômodo para entalhar madeira e pedra.

Os nomes de árvores

A associação de cada letra a uma árvore aparece em tratados medievais muito posteriores ao uso real do ogham, como o Auraicept na n-Éces. É duvidoso que fizesse parte do sistema original: vários nomes não designam árvores e outros têm interpretação insegura. A imagem do «alfabeto das árvores» é em boa parte uma construção de eruditos medievais, muito amplificada depois por autores modernos.

Veja alfabeto irlandês, alfabeto rúnico e história do alfabeto.

Quantas letras tem o ogham?
20 originais em quatro grupos de cinco, mais cinco acrescentadas depois.
Ainda é usado?
Não como escrita viva. Aparece em monumentos comemorativos, joias e logotipos na Irlanda.

Outras páginas da seção