Direção da escrita
Nem todas as escritas avançam do mesmo modo. O latino, o grego e o cirílico vão da esquerda para a direita; o árabe e o hebraico, da direita para a esquerda; o chinês e o japonês podem escrever-se em colunas verticais. E o grego arcaico alternava a direção em cada linha.
As direções possíveis
| Direção | Escritas |
|---|---|
| Esquerda-direita, linhas de cima para baixo | latino, grego, cirílico, devanágari, coreano, tailandês, arménio, georgiano |
| Direita-esquerda, linhas de cima para baixo | árabe, hebraico, siríaco, persa, urdu, tifinagh |
| Vertical de cima para baixo, colunas da direita para a esquerda | chinês, japonês, coreano tradicional |
| Vertical de cima para baixo, colunas da esquerda para a direita | mongol tradicional |
| Alternando em cada linha (bustrofédon) | grego arcaico, etrusco antigo, rongorongo |
O bustrofédon
A palavra vem do grego bous (boi) e strophē (volta): «como o boi ara». Neste sistema, uma linha vai da esquerda para a direita, a seguinte da direita para a esquerda, e assim sucessivamente, tal como um arado percorre um campo sem se levantar. E não muda só o sentido de leitura: as letras escrevem-se em espelho nas linhas invertidas.
Usaram-no o grego arcaico até ao século V a. C., o etrusco antigo, algumas inscrições latinas primitivas e o rongorongo da ilha da Páscoa. Tem uma vantagem evidente — o olho não volta ao início da linha — e uma desvantagem que acabou por se impor: é preciso reconhecer cada letra em duas orientações.
Como funcionam os textos mistos
Um texto árabe com uma data em algarismos é bidirecional: as palavras correm da direita para a esquerda e os números da esquerda para a direita, dentro da mesma linha. O mesmo acontece com uma marca estrangeira, uma fórmula química ou um endereço web inseridos num texto hebraico.
Os sistemas informáticos resolvem isto com o algoritmo bidirecional do Unicode, que analisa cada carácter, lhe atribui uma direcionalidade e reordena a linha antes de a mostrar. É uma das partes mais complicadas da tipografia digital, e a causa de um endereço de correio ou um nome próprio aparecerem desordenados num site mal configurado.
A escrita vertical da Ásia oriental
O chinês e o japonês escreveram-se durante milénios em colunas verticais que avançam da direita para a esquerda, e essa continua a ser a forma normal de romances, jornais e banda desenhada. A horizontal da esquerda para a direita chegou no século XX por influência ocidental e domina em textos técnicos, sites e publicidade.
Os dois formatos convivem sem problema: um jornal japonês pode ter o corpo na vertical e os títulos na horizontal na mesma página. O coreano também se escrevia na vertical e hoje usa quase só a horizontal.
Escritas que mudaram de direção
- Grego: da direita para a esquerda no início, depois bustrofédon, e da esquerda para a direita desde o século V a. C.
- Etrusco: normalmente da direita para a esquerda, com exceções.
- Latino: herdou do etrusco algumas inscrições da direita para a esquerda antes de se fixar.
- Mongol: rodou 90 graus a escrita uigur, que era horizontal, e ficou vertical.
- Coreano e japonês: passaram da vertical dominante à horizontal no século XX.
Que o latino vá da esquerda para a direita não tem nada de natural nem de inevitável: é o resultado de uma decisão grega do século V a. C. transmitida através do etrusco. Ver tipos de alfabeto e história do alfabeto.
- Por que o árabe se escreve da direita para a esquerda?
- Por herança das escritas semíticas antigas, que provavelmente adotaram essa direção pela técnica de gravação em pedra.
- O que é o bustrofédon?
- Um sistema em que cada linha alterna a direção, como o arado de um boi, com as letras em espelho nas linhas invertidas.
- O japonês escreve-se na vertical ou na horizontal?
- Das duas maneiras. A vertical é tradicional e usa-se em romances e jornais; a horizontal domina em sites e textos técnicos.