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O que é um alfabeto

Um alfabeto é um sistema de escrita em que cada sinal representa um fonema, consoante ou vogal, e não uma sílaba nem uma palavra. É a definição estrita, e com ela nem todos os sistemas a que chamamos «alfabeto» o são: o árabe é um abjad, o hindi um abugida e o japonês combina dois silabários com logogramas.

Os cinco tipos de escrita

TipoCada sinal representaExemplos
Alfabetoum fonema, vogal ou consoantelatino, grego, cirílico, coreano
Abjaduma consoante; as vogais deduzem-seárabe, hebraico, aramaico
Abugidauma consoante com vogal implícitadevanágari, tailandês, etíope
Silabáriouma sílaba completahiragana, katakana, cherokee
Logográficauma palavra ou um morfemacaracteres chineses

A diferença não é de complexidade nem de nível de desenvolvimento: cada sistema ajusta-se bem à língua para que foi criado. O hebraico pode dispensar as vogais porque a sua morfologia assenta em raízes de três consoantes; o japonês precisa de um silabário porque quase todas as suas sílabas são consoante mais vogal.

O que torna o alfabeto especial

O alfabeto é o sistema com menos sinais por língua: entre 20 e 40, contra os 46 de um silabário ou os milhares de uma escrita logográfica. Isso torna-o fácil de aprender, fácil de imprimir e fácil de adaptar a máquinas de escrever, teclados e códigos como o morse ou o braille.

A sua invenção foi única na história. Todos os alfabetos do mundo — latino, grego, cirílico, árabe, hebraico, arménio, georgiano, devanágari, tailandês — descendem de um só antepassado: a escrita protossinaítica do século XIX a. C. As únicas exceções são o hangul coreano, inventado de raiz em 1443, e alguns sistemas modernos como o cherokee.

O passo decisivo: as vogais

O fenício tinha 22 sinais, todos consonânticos: era um abjad. Quando os gregos o adotaram por volta do século IX a. C., encontraram sinais para sons que a sua língua não tinha e reaproveitaram-nos para anotar vogais. Essa reciclagem acidental transformou um abjad no primeiro alfabeto completo da história, e dele descendem todos os alfabetos europeus.

A diferença prática é enorme. Em grego e em português é possível ler em voz alta uma palavra nunca vista, mesmo inventada. Em árabe sem vogais é preciso já conhecer a palavra para a ler bem.

No uso corrente, «alfabeto» aplica-se a qualquer sistema de escrita e também a códigos que não o são de todo: o alfabeto morse, o braille, o alfabeto em Libras ou o alfabeto aeronáutico. Nenhum é um sistema de escrita autónomo: os quatro são formas de representar um alfabeto que já existe.

Quantos alfabetos há no mundo

Cerca de 150 sistemas de escrita estão em uso, dos quais uns 40 são alfabetos em sentido estrito. A distribuição é muito desigual: o latino é usado por cerca de 4.000 milhões de pessoas e muitos alfabetos nacionais por apenas alguns milhares. O Unicode, o padrão que permite escrever qualquer língua num computador, codifica 161 sistemas de escrita, incluindo os históricos.

Alfabeto, abecedário, escrita

Ver também tipos de alfabeto e história do alfabeto.

O chinês tem alfabeto?
Não. Usa logogramas: cada caractere representa uma palavra ou um morfema, não um som.
Qual foi o primeiro alfabeto?
O protossinaítico, do século XIX a. C., se aceitarmos a definição ampla. O primeiro alfabeto com vogais foi o grego, por volta do século IX a. C.
O morse é um alfabeto?
Não em sentido estrito: é uma codificação de um alfabeto já existente noutro meio, o som.

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