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A letra V

O V é a vigésima segunda letra do alfabeto português e uma consoante fricativa labiodental sonora. Chama-se e representa o fonema /v/, claramente distinto de /b/: vala e bala, vento e bento são pares mínimos.

Nome e pronúncia

O nome é , plural vês. Articula-se apoiando o lábio inferior nos incisivos superiores, com vibração das cordas vocais: é o par sonoro do f. Não tem variantes regionais nem posicionais; soa igual em todo o mundo lusófono. O espanhol e o galego perderam essa oposição e pronunciam v como b, o que explica que um falante de espanhol tenha de treinar o /v/ português.

De onde vem a letra V

É a forma latina original do sinal que também deu o U: os romanos escreviam V tanto para a vogal /u/ como para a semiconsoante /w/. A separação entre u vogal e v consoante foi proposta por Gian Giorgio Trissino em 1524 e imposta pela tipografia ao longo do século XVI. Por isso nas inscrições romanas e nos relógios clássicos ainda se lê IVLIVS ou AVGVSTVS. O som /v/, que hoje a letra representa, resultou da evolução do /w/ latino em quase todas as línguas românicas.

O V noutros alfabetos e códigos

SistemaEquivalente
GregoΒ β (beta, que hoje soa /v/)
CirílicoВ в
Hebraicoו (vav) · ב sem ponto
Árabenão existe /v/; transcreve-se ف ou ڤ
Morse· · · —
Braillepontos 1-2-3-6
Alfabeto OTANVictor
Librasindicador e médio separados em V

Palavras que começam com V

Regras e confusões frequentes

Como o português distingue /b/ de /v/, não existe aqui a confusão ortográfica que domina o espanhol. As dúvidas são outras: o par vez (substantivo) e vês (verbo ver), o par viagem e viajem já visto em a letra G, e as formas do verbo ver no futuro do subjuntivo (quando eu vir, não quando eu ver), que se confundem com as de vir (quando eu vier). Nenhuma palavra portuguesa termina em v.

O V e o B soam igual em português?
Não. São fonemas distintos, ao contrário do que acontece em espanhol.
Por que o U e o V eram a mesma letra?
Porque em latim um único sinal, V, servia para a vogal e para a consoante. A separação gráfica generalizou-se com a imprensa no século XVI.

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