Música do alfabeto
A música do alfabeto em português recita as 26 letras sobre a melodia de Brilha, brilha, estrelinha, a mesma que em inglês sustenta a ABC Song. Serve para memorizar a ordem alfabética, mas não ensina a ler: para isso são precisos os sons, não os nomes.
A letra
A versão mais difundida agrupa as letras assim:
- A - B - C - D - E - F - G
- H - I - J - K - L - M - N
- O - P - Q - R - S - T - U
- V - W - X - Y - Z
- Já sei o alfabeto todo,
- agora vem cantar comigo.
Há muitas variantes de fecho conforme o país: já sei as vinte e seis, este é o meu abecedário, e assim acaba a canção. A estrutura de quatro grupos mantém-se, embora alguns métodos separem o K, o W e o Y num verso próprio para chamar a atenção para elas.
A melodia
É a de uma canção popular francesa do século XVIII, Ah! vous dirai-je, maman, sobre a qual Mozart escreveu doze variações em 1781. A mesma melodia sustenta Brilha, brilha, estrelinha em português, Twinkle Twinkle Little Star em inglês e Campanita del lugar em espanhol. É provavelmente a melodia infantil mais reutilizada do mundo.
Encaixar 26 letras numa melodia pensada para menos obriga a apertar alguns grupos, e por isso a maioria das versões acelera para o fim. Em inglês acontece o mesmo com a sequência L-M-N-O-P, ao ponto de muitas crianças acreditarem que existe uma letra chamada elemenopy.
Para que serve e para que não
- Serve para: memorizar a ordem alfabética, necessária para procurar num dicionário, ordenar uma lista ou encontrar um apelido.
- Serve para: familiarizar-se com o conjunto de letras como algo fechado e finito.
- Serve para: a memória melódica, muito potente aos três ou quatro anos.
- Não serve para: aprender a ler, porque ensina nomes e não sons.
- Não serve para: saber que letra vem depois de outra sem começar do A, se só se memorizou como melodia.
Quatro variantes úteis
- Versão lenta, com uma letra por tempo, sem apertar nenhum grupo. É a recomendada pelos terapeutas da fala.
- Versão de sons: em vez de dizer «eme», dizer /mmm/. Quebra a rima mas é a que realmente prepara para ler.
- Versão com palavras: «A de abelha, B de bola». Liga cada letra ao seu som inicial e é a ponte para a leitura.
- Versão ao contrário, do Z ao A. Verifica se a ordem foi mesmo aprendida ou apenas recitada em bloco.
Como usá-la bem
Cante-a como brincadeira, não como exame. Aos três anos a criança pode recitá-la inteira sem identificar nenhuma letra escrita, e isso está bem: a canção está a construir uma memória de sequência que depois se irá preenchendo. O passo seguinte é apontar cada letra numa folha enquanto se canta, para associar som e forma. E o passo decisivo, por volta dos quatro anos, é deixar de cantar os nomes e começar a brincar com os sons, como se explica em como ensinar o alfabeto.
Ver também jogos do alfabeto e alfabeto para crianças.
- Com que melodia se canta o alfabeto em português?
- Com a de Brilha, brilha, estrelinha, uma melodia popular francesa do século XVIII sobre a qual Mozart escreveu variações.
- A canção ensina a ler?
- Não. Ensina a ordem e os nomes das letras. Para ler são precisos os sons.
- Onde entram o K, o W e o Y na canção?
- Nas suas posições normais, entre o J e o L e no fim. Algumas versões dão-lhes um verso próprio por serem letras pouco frequentes.