Alfabeto Montessori
O método Montessori ensina o alfabeto pelo tato e pelo som, nunca pelo nome da letra. O seu material mais característico são as letras de lixa: a letra recortada em lixa sobre uma tábua lisa, que a criança repassa com dois dedos enquanto ouve o seu som.
As letras de lixa
São o coração do método. Cada letra é recortada em lixa e colada sobre uma tábua colorida: rosa ou vermelho para as consoantes, azul para as vogais. A criança repassa a letra com o indicador e o médio da mão dominante, seguindo exatamente a ordem de traços com que depois a escreverá, enquanto o adulto pronuncia o seu som.
A lógica é que três canais trabalham ao mesmo tempo: o tato sente a forma e o percurso, a vista vê a letra, e o ouvido recebe o som. Essa combinação fixa a aprendizagem muito melhor do que olhar para uma ficha, e prepara a mão para o traço antes de saber segurar um lápis.
A lição em três tempos
Montessori apresenta cada letra com uma sequência fixa de três passos, aplicável também a qualquer outro conceito:
- Nomear: o adulto repassa a letra e diz o som. «Isto é /m/». Mais nada, sem explicações.
- Reconhecer: com duas ou três letras sobre a mesa, «dá-me o /m/», «aponta o /a/». Aqui verifica-se se percebeu sem lhe pedir que fale.
- Recordar: apontando uma letra, «qual é esta?». Só se chega a este passo quando o segundo está seguro.
Se a criança falhar no terceiro tempo, não se corrige: volta-se ao segundo e retoma-se noutro dia. A correção direta evita-se em todo o método.
A ordem de apresentação
Não é alfabética. Começa-se por letras que permitam formar palavras logo e que sejam fáceis de articular e de traçar:
- Primeiro grupo: m, a, t, s. Com elas já saem mata, massa, mesa.
- Segundo grupo: o, p, i, l.
- Terceiro grupo: e, u, n, c.
- Depois: as letras menos frequentes e as que têm mais de um som.
O critério é sempre o mesmo: cada grupo novo deve permitir formar palavras com as letras já conhecidas. Aprender uma letra que ainda não se pode usar não motiva ninguém.
O alfabeto móvel
O segundo material fundamental é o alfabeto móvel: um conjunto de letras soltas recortadas, em minúscula, com vogais azuis e consoantes vermelhas. Com ele a criança compõe palavras antes de as saber escrever, que é precisamente o momento em que a sua capacidade de analisar sons ultrapassa a sua capacidade motora.
A escrita, na ordem Montessori, vem antes da leitura: primeiro a criança decompõe uma palavra em sons e constrói-a com letras, e só depois descobre que consegue ler o que outros escreveram. É a ordem inversa à da escola tradicional e uma das diferenças mais notáveis do método.
O que se pode aplicar em casa
- Dizer sempre o som, nunca o nome da letra.
- Trabalhar com as mãos antes do lápis: lixa, areia, plasticina.
- Apresentar três letras de cada vez, não as 26.
- Não corrigir diretamente. Se falhar, volta-se ao passo anterior noutro dia.
- Deixar escolher que palavra quer compor. A motivação vem do interesse próprio.
- Minúsculas primeiro, porque são as dos livros.
Não é preciso comprar material: umas letras recortadas em cartão fino e forradas com lixa de grão médio fazem exatamente a mesma função. Ver como ensinar o alfabeto e atividades do alfabeto.
- Por que as letras são de lixa?
- Para que a criança perceba a forma pelo tato enquanto a vê e ouve o seu som. Os três canais juntos fixam a aprendizagem melhor do que a vista sozinha.
- Por que as vogais são azuis e as consoantes vermelhas?
- Para que, ao compor uma palavra, a criança veja num relance o esqueleto vocálico, que é o que estrutura a sílaba.
- Ensina-se primeiro a escrever ou a ler?
- A escrever. Em Montessori a criança compõe palavras com o alfabeto móvel antes de ler as dos outros.