Alfabeto graffiti
O alfabeto graffiti não é um tipo de letra, mas uma família de estilos nascida em Nova Iorque no fim dos anos sessenta e assente em deformar as letras até as transformar em composição gráfica. Cada escritor desenvolve a sua própria versão do alfabeto, e é precisamente essa a disciplina.
Os estilos principais
| Estilo | O que é | Dificuldade |
|---|---|---|
| Tag | a assinatura, feita de um traço contínuo | parece fácil, é a mais difícil |
| Throw-up | letras de contorno arredondado, preenchidas com uma cor | média |
| Bubble | letras muito redondas e inchadas | baixa, boa para começar |
| Block | letras retas e maciças, muito legíveis | baixa |
| Wildstyle | letras entrelaçadas e deformadas até ficarem ilegíveis | alta |
| 3D | volume com sombra e perspetiva | alta |
O wildstyle é o mais reconhecível e o mais mal interpretado: a sua ilegibilidade não é um defeito mas o objetivo, porque a mensagem dirige-se a outros escritores, não ao público geral.
Como se constrói uma letra
- Esqueleto. Desenha-se a letra na sua forma mais simples, quase como um palito. Aqui decide-se a proporção e a inclinação.
- Contorno. Engorda-se o esqueleto traçando duas linhas paralelas de cada lado. A letra começa a ter corpo.
- Ajuste. Modifica-se o que não funciona: alongar um traço, curvar uma ponta, encaixar uma letra dentro de outra.
- Preenchimento. Cor plana, degradê ou padrão.
- Extras. Sombra projetada, brilho, contorno exterior, setas e remates.
A regra que separa um trabalho bom de um mau é a coerência: se uma letra tem as pontas afiadas, todas devem tê-las; se uma tem espessura 3, todas têm. Um alfabeto graffiti é um sistema, não uma coleção de letras soltas.
O vocabulário
- Tag: a assinatura pessoal do escritor.
- Piece: de masterpiece, uma obra elaborada e de várias cores.
- Outline: o contorno da letra.
- Fill-in: o preenchimento.
- Fade: degradê entre duas cores.
- Blackbook: o caderno de esboços, onde se pratica tudo antes de passar à parede.
- Cap: o bico da lata de spray, que determina a espessura do traço.
Como começar no papel
- Trabalhe num caderno, não numa parede. Todos os escritores têm um blackbook e passam anos nele.
- Comece pelo seu nome ou por uma palavra de quatro ou cinco letras. Menos é pouco material, mais é inabarcável.
- Desenhe o esqueleto a lápis e não repasse até a estrutura estar boa.
- Repita a mesma palavra vinte vezes em estilos diferentes. A variação sobre o mesmo é como se desenvolve um estilo próprio.
- Material mínimo: lápis, borracha, marcador preto fino e grosso, e marcadores de cor. O spray vem muito depois.
Convém lembrar que pintar em propriedade alheia sem autorização é crime em Portugal, no Brasil e em quase todos os países. Existem muros livres e espaços autorizados na maioria das cidades. Para outros estilos, ver lettering alfabeto e alfabeto gótico.
- Por que o wildstyle é ilegível?
- Porque se dirige a outros escritores, que o leem. A complexidade faz parte do código do estilo.
- Por que estilo convém começar?
- Por block ou bubble: obrigam a construir bem a letra antes de a deformar.
- É preciso spray para aprender?
- Não. Os primeiros anos de qualquer escritor são de caderno, lápis e marcador.