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Alfabeto de sinais internacional

Não existe uma língua de sinais universal. O que existe é o sinal internacional, um sistema de comunicação de contacto usado em congressos e encontros internacionais de pessoas surdas. O seu alfabeto manual toma as configurações mais difundidas, quase todas do ASL e das línguas europeias.

Por que não há uma língua de sinais universal

As línguas de sinais não são códigos inventados, mas idiomas naturais que surgiram espontaneamente em cada comunidade surda e evoluíram durante séculos. Há mais de 300 documentadas no mundo, tão diferentes entre si quanto as línguas faladas. A LGP e a Libras não se entendem bem; a britânica e a americana não se entendem de todo, apesar de partilharem o inglês escrito.

Essa diversidade tem explicação histórica: cada escola de surdos gerou a sua própria língua, e as que se difundiram fizeram-no pelas rotas da educação. A língua gestual francesa chegou aos Estados Unidos em 1817 com Laurent Clerc, e por isso o ASL se parece mais com a francesa do que com a britânica.

O que é o sinal internacional

O alfabeto usado no sinal internacional

É essencialmente o alfabeto de uma mão do ASL, que por sua vez descende do alfabeto espanhol do século XVII. Foi escolhido não por prestígio mas por difusão: é o que mais gente reconhece. Não inclui o ç nem as vogais acentuadas, e os sinalizantes britânicos, habituados ao alfabeto de duas mãos, costumam ter de o aprender à parte.

O sistema Gestuno, publicado pela Federação Mundial de Surdos em 1975, foi uma tentativa de padronizar um vocabulário internacional com 1.500 sinais escolhidos por comité. Falhou porque os sinais artificiais eram difíceis de recordar; o sinal internacional atual é uma prática viva, não uma norma escrita.

O que se entende de facto entre sinalizantes de países diferentes

Mais do que entre falantes de línguas orais diferentes, por duas razões. A primeira é que muitos sinais são icónicos: o sinal de «comer» parece-se com o gesto de levar comida à boca em quase todas as línguas de sinais. A segunda é que as pessoas surdas têm muita prática em comunicar por cima de barreiras linguísticas, e desenvolvem estratégias — gesto, mímica, desenho no ar, expressão facial — que um ouvinte monolingue não domina.

Ainda assim, essa comunicação é limitada e lenta. Para uma conferência contratam-se intérpretes de sinal internacional, e para uma conversa precisa é necessária uma língua partilhada. Ver alfabeto em Libras e alfabeto datilológico.

As línguas de sinais com mais utilizadores

LínguaSinalizantes aproximadosFamília
Língua de sinais indiana e indo-paquistanesavários milhõesindependente
Língua de sinais chinesa1-2 milhõesindependente
Libras (Brasil)cerca de 3 milhõesfrancesa
ASL (EUA e Canadá)250.000-500.000francesa
LGP (Portugal)cerca de 60.000sueca
BSL (Reino Unido)150.000britânica
Existe uma língua de sinais universal?
Não. Há mais de 300 línguas de sinais diferentes. O sinal internacional é um sistema de contacto, não uma língua.
Duas pessoas surdas de países diferentes entendem-se?
Parcialmente e com esforço, graças à iconicidade de muitos sinais e à sua experiência comunicativa.
Que alfabeto usa o sinal internacional?
O de uma mão do ASL, escolhido por ser o mais reconhecido internacionalmente.

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